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Edição nº 15·Educação

A Geração Prateada nas Urnas

O Voto Idoso, o Envelhecimento da Bahia e o Imperativo de Políticas Públicas para a Terceira Idade

Por Ricardo Justo·Semana de 31 de maio a 06 de junho de 2026·20 min de leitura
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Nesta décima quinta edição, analisamos o crescimento do eleitorado idoso no Brasil e na Bahia, suas implicações políticas para 2026 e apresentamos oito propostas concretas de políticas públicas para a terceira idade.

Há uma reflexão necessária sobre a transformação silenciosa, profunda e, muitas vezes, negligenciada pela política brasileira: o envelhecimento da população e o crescimento do eleitorado idoso como uma das forças mais relevantes das próximas disputas eleitorais.

Enquanto boa parte do debate público permanece concentrada apenas na juventude, nas redes sociais e nas novas tecnologias, uma geração inteira segue ampliando sua presença nas urnas, participando ativamente da vida social e exigindo reconhecimento, dignidade e políticas públicas compatíveis com sua realidade.

Esse fenômeno não se limita apenas a uma questão geracional ou de política demográfica. Ele altera as prioridades econômicas, pressiona os sistemas de saúde e de previdência, redefine as relações familiares e transforma o próprio comportamento político da sociedade.

A chamada "Geração Prateada" deixou de ocupar um espaço secundário na vida pública. Hoje, ela influencia decisões, acompanha debates, observa comportamentos e possui crescente capacidade de decidir eleições em municípios, estados e no cenário nacional.

Mais do que números, estamos falando de pessoas que vivem realidades distintas, com necessidades concretas e que ajudaram, e continuam ajudando, a sustentar suas famílias e construir o país, mesmo atravessando crises econômicas, mudanças políticas e profundas transformações sociais.

São homens e mulheres que carregam experiências, memórias, valores e uma compreensão prática da vida que muitas vezes falta ao debate político contemporâneo. Ignorar essa parcela da população não é apenas um erro estratégico. É também uma forma de injustiça social.

Inicialmente, faremos algumas observações sobre "A Marcha Silenciosa: o Eleitorado que o Brasil Não Viu Crescer", onde analisaremos como o envelhecimento populacional avançou de forma acelerada nas últimas décadas e como a política nacional demorou a perceber o impacto eleitoral dessa mudança.

A seguir, na segunda parte, refletiremos sobre "A Bahia que Envelhece: o Peso Político da Geração Prateada no Estado", observando os desafios sociais, econômicos e estruturais que acompanham o crescimento da população idosa em nosso estado, especialmente no interior e nas periferias urbanas.

Em terceiro lugar, discutiremos "O Voto que Lê, Permanece e Decide: A Dimensão Política do Eleitor Idoso", para um maior entendimento das características desse eleitorado, sua relação com informação, estabilidade, memória política e sua capacidade de influenciar os rumos das eleições futuras.

Concluiremos este trabalho com "Propostas para Políticas Públicas para a Terceira Idade: um Compromisso que Também é Político", apresentando reflexões sobre a necessidade de construir políticas públicas sérias, humanas e permanentes para garantir qualidade de vida, inclusão, proteção social e respeito à população idosa.

Convido você a caminhar conosco nesta reflexão. Mais do que compreender dados e tendências, este artigo busca provocar um debate consciente sobre o tipo de sociedade que estamos construindo e sobre a responsabilidade coletiva de preparar o presente para acolher o futuro que já começou.

Acompanhe também nossos debates, artigos, reflexões e os trabalhos relacionados à nossa pré-candidatura nas redes sociais e nos canais oficiais da JUSTAMENTE NEWS. O diálogo com a sociedade continua sendo o caminho mais importante para construir propostas reais, humanas e comprometidas com as pessoas.

Aconteceu, o JUSTAMENTE NEWS explica!

Boa Leitura!

I. A Marcha Silenciosa: o Eleitorado que o Brasil Não Viu Crescer

Há transformações que não interrompem o noticiário, não disputam trending topics, não se anunciam em "dancinhas no TikTok". Apesar disso, essas mudanças são inexoráveis. É assim que o envelhecimento do eleitorado brasileiro tem se imposto à cena política nacional, e é assim que ele chegará, de forma decisiva, às eleições de outubro de 2026.

Uma pesquisa produzida pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), formulou a seguinte pergunta: "Qual o seu nível de interesse nas eleições presidenciais que vão ocorrer em outubro deste ano (2026)?", revelando uma mudança estrutural de longa maturação.1

De acordo com a pesquisa, entre 2010 e 2026, o eleitorado brasileiro cresceu 15%, passando de 135,8 milhões para 156,2 milhões de eleitores aptos. Nesse mesmo período, o contingente de eleitores com 60 anos ou mais saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões, uma expansão de 74%, quase cinco vezes superior à média geral.

Como bem observa o Prof. Paulo Baía, sociólogo, cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em artigo publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU:

"Os idosos deixaram de ser margem. Tornaram-se centro. Em 2010, representavam 15,3% do eleitorado. Em 2014, 17,0%. Em 2018, 18,8%. Em 2022, 21,0%. Em 2026, alcançam 23,2%. Quase um em cada quatro eleitores brasileiros é idoso."2

Dados do IBGE confirmam essa transformação radical na pirâmide etária. O percentual de pessoas com 60 anos ou mais saltou para cerca de 16,6% da população, somando mais de 35 milhões de brasileiros. O processo é impulsionado pela queda na taxa de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida.3

Dentro desse universo idoso, coexistem, contudo, duas realidades distintas. Há 19,7 milhões de eleitores entre 60 e 69 anos, cujo voto é obrigatório, e 16,5 milhões com 70 anos ou mais, para quem o sufrágio é facultativo. Essa divisão é mais do que jurídica: é comportamental, psicológica e politicamente relevante.

Em 2022, a abstenção entre os eleitores de 60 a 69 anos foi de apenas 14,3%, patamar inferior à média nacional de 20,9%. Já entre os maiores de 70 anos, essa taxa chegou a 58,9%, o que revela a existência de uma enorme reserva eleitoral latente.

Em números absolutos, 21,6 milhões de idosos compareceram às urnas no primeiro turno de 2022. Em 2014, eram 15,3 milhões. Um crescimento de mais de 6 milhões de votos em apenas oito anos, o suficiente para decidir uma eleição nacional por si só, em um cenário de polarização como o que se vive atualmente.

Também o número de candidatos maiores de 60 anos tem aumentado anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições, em 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram aos cargos em disputa, o que equivale a 15% de todas as candidaturas.4

O mapa do envelhecimento eleitoral no Brasil, porém, não é homogêneo. O Rio Grande do Sul lidera com 29% de eleitores idosos. O Estado do Rio de Janeiro aparece com 28%. Minas Gerais, 26%. São Paulo, 25%. Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina, todos com 24%.

No extremo oposto, estados da região Norte apresentam os menores percentuais: Amapá, Amazonas e Roraima registram 15%; Acre, 16%; e Pará, 17%. O Sul e o Sudeste envelhecem mais rápido e mais intensamente, concentrando os maiores colégios eleitorais do país.

É nesse contexto nacional que a Bahia se insere. E os índices baianos têm muito a dizer, levando-se em consideração que as pessoas com 60 anos ou mais representam 16,6% da população total do estado, o equivalente a cerca de 2,46 milhões de habitantes. Os dados mais recentes também apontam a Bahia como o estado brasileiro com a maior proporção absoluta e relativa de pessoas centenárias.5

II. A Bahia que Envelhece: o Peso Político da Geração Prateada no Estado

A Bahia não está à margem da revolução demográfica em curso. Pelo contrário: o estado experimenta, neste momento, uma aceleração singular no envelhecimento de sua população e os reflexos disso já se fazem sentir nas urnas e nas políticas públicas.

Segundo os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, a população baiana com 60 anos ou mais cresceu 7,2% entre 2024 e 2025, com um acréscimo de mais de 108 mil indivíduos em apenas um ano.6

Pela primeira vez desde 2012, a participação dos idosos no estado igualou a média nacional. Em uma perspectiva de longo prazo, o envelhecimento populacional se destaca ainda mais: desde o início da série histórica, o contingente de idosos cresceu 64,9%, o que representa cerca de 970 mil novos indivíduos nessa faixa etária em pouco mais de dez anos.7

O grupo já soma 2,46 milhões de pessoas, representando 16,6% dos 14,85 milhões de habitantes do estado. Trata-se de um marco histórico: pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012, a participação dos idosos na Bahia alcançou a média nacional, também de 16,6%.

A Bahia carrega, ainda, uma distinção demográfica de peso: segundo o IBGE, o estado concentra o maior número de centenários do Brasil. Mais do que um dado de curiosidade, isso revela uma longevidade estrutural que desafia os sistemas de saúde, previdência e assistência social e que interpela, também, o sistema político.

No plano eleitoral, os números são igualmente eloquentes. Conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), 2.299.950 pessoas com 60 anos ou mais estão aptas a votar no estado, o que representa 20,77% do eleitorado geral baiano, estimado em 11.071.259 eleitores.8

A faixa etária mais numerosa é a de 60 a 64 anos, com 719.799 eleitores registrados. Somente na capital, Salvador, mais de 170 mil cidadãos acima dos 70 anos estão com o título regularizado e, como sabemos, votam por convicção, não por obrigação.

É fundamental sublinhar que, embora o percentual do eleitorado idoso baiano (20,77%) seja inferior à média nacional atual (23,2%), a trajetória de crescimento é acelerada e, segundo as projeções do próprio governo estadual, tende a se intensificar nas próximas décadas.

A Secretaria de Saúde da Bahia (SESAB), em dados apresentados na "6ª Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa", realizada em setembro de 2025, alerta que, até 2070, quatro em cada dez baianos terão 60 anos ou mais. Uma projeção que transforma o envelhecimento em pauta urgente de Estado.9

O crescimento da longevidade baiana impõe desafios e oportunidades concretas. No campo da saúde, o Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI), vinculado à Superintendência de Assistência Integral à Saúde (SAIS), da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), disponibiliza à comunidade um serviço especializado na saúde do idoso frágil.

Além disso, o centro desenvolve interlocução com outras instituições a fim de fortalecer o debate sobre as ações setoriais, em conformidade com as diretrizes da macro-política, ampliando os procedimentos e atendimentos para cerca de 30 mil pacientes matriculados.

Em 2023, a Bahia inaugurou o Hospital Estadual Mont Serrat de Cuidados Paliativos, o primeiro hospital público do Brasil voltado exclusivamente a esse tipo de cuidado. São iniciativas importantes, mas que precisam ser expandidas, multiplicadas e, sobretudo, politicamente direcionadas, pois é aqui que política e demografia efetivamente se encontram.10

A Bahia passa por um acelerado processo de envelhecimento populacional, abrigando atualmente mais de 2,4 milhões de pessoas idosas, o que representa cerca de 16,6% de sua população total. Esse expressivo contingente traz desafios estruturais urgentes para a saúde pública, previdência e mobilidade urbana no estado.

Os candidatos e partidos que chegarem às eleições de outubro de 2026 sem uma agenda consistente para esse segmento estarão abrindo mão de um contingente eleitoral que, na Bahia, é superior à soma dos eleitores jovens de 16 a 24 anos. Ignorar as demandas da terceira idade é uma escolha politicamente irracional.

Como observa Paulo Baía (2026) com precisão cirúrgica, o eleitor idoso não é passivo nem previsível:

"O eleitor idoso é múltiplo. É contraditório. É exigente. É decisivo. Há, nesse conjunto, presença contínua no tempo. O jovem entra e sai do sistema eleitoral. O idoso permanece. Ele acumula eleições. Acumula escolhas. Acumula decepções e aprendizados. E transforma tudo isso em voto."11

Há ainda uma dimensão sociocultural que merece especial atenção no contexto baiano. Com forte tradição de pertencimento comunitário, religioso e cultural, encontram-se forças integrativas denominacionais, ministérios de homens e mulheres, grupos de discipulado da terceira idade, sociedades femininas, irmandades religiosas, instituições de benemerência, organizações profissionais e associações de bairro, onde os idosos baianos constroem e mantêm redes de sociabilidade que têm impacto real na formação de opinião pública.

O idoso baiano não vota em silêncio: ele conversa, influencia, carrega consigo a memória coletiva de lutas, de conquistas e de decepções por promessas não cumpridas. Nesse universo da população idosa, as mulheres representam 56%, vivendo, em média, seis anos a mais do que os homens, sendo particularmente relevante no contexto baiano.

A "feminização da velhice" é um fenômeno demográfico em que a proporção de mulheres é significativamente maior que a de homens nas faixas etárias mais avançadas. Esse processo, mapeado nos levantamentos do IBGE, é impulsionado pela maior expectativa de vida feminina combinada com a maior taxa de mortalidade masculina ao longo das gerações.12

Em um Estado com expressiva presença de mulheres negras, pobres e idosas, a intersecção entre gênero, raça e idade produz um eleitorado com experiências, demandas e repertórios simbólicos próprios, que desafiam qualquer campanha que insista em tratá-lo como bloco homogêneo.

III. O Voto que Lê, Permanece e Decide: A Dimensão Política do Eleitor Idoso

Há um equívoco persistente no debate político contemporâneo que precisa ser nomeado e combatido: a subestimação sistemática do eleitor idoso. Essa subestimação assume formas variadas, desde o desdém pelas redes sociais frequentadas por esse público até a crença de que textos longos não interessam a pessoas mais velhas. Ambas as premissas são empiricamente falsas e politicamente suicidas.

De acordo com o site "A Voz do Idoso", o uso intenso de celulares, frequentemente associado a jovens, tem avançado entre pessoas mais velhas e provocado preocupações dentro das famílias. Dados indicam que a presença de usuários com 65 anos ou mais nas redes sociais cresceu de 11% em 2010 para 45% em 2021, refletindo uma mudança no comportamento digital dessa faixa etária.13

Os idosos não estão apenas presentes nas redes sociais: leem mais, interagem mais e compartilham mais conteúdo. Enquanto a juventude fragmenta sua atenção entre múltiplas plataformas e formatos efêmeros, os idosos habitam o espaço digital com outro ritmo e com outra profundidade.

Do ponto de vista psicológico, o envelhecimento não elimina a capacidade crítica. Muito pelo contrário e, sob muitos aspectos, a aprofunda. Há mais experiência acumulada, mais parâmetros de comparação, mais resistência às simplificações. O idoso não responde a slogans vazios, responde à coerência, à trajetória, à consistência.

Ele já viu promessas não cumpridas. Já atravessou crises e superações. Possui, portanto, um repertório histórico que funciona como filtro para discursos políticos. Sociologicamente, como já apontamos, estamos diante de um grupo que acumula capital simbólico de natureza distinta.

O dado sobre comparecimento eleitoral ilustra bem essa densidade cívica. Em 2022, enquanto a taxa de comparecimento do eleitorado geral foi de 79,1%, entre os eleitores de 60 a 69 anos chegou a 85,7%. Uma disciplina que se manteve estável ao longo de toda a série histórica: 84,2% em 2014, 83,8% em 2018 e 85,7% em 2022. Não é hábito mecânico. É convicção democrática sedimentada.

Mesmo entre os maiores de 70 anos, para quem o voto não é obrigatório, o comparecimento cresceu: de 36,4% em 2014 para 41,1% em 2022, conforme apontam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE para mapear as condições socioeconômicas e o mercado de trabalho no Brasil.

Cada ponto percentual de crescimento nessa faixa etária, designada pela sociologia como "Gerontologia Social", significa centenas de milhares de votos adicionais, votos dados por pessoas que escolheram ir às urnas sem nenhuma obrigação legal, movidas exclusivamente pela convicção política.

No Brasil, em 2022, 11,3 milhões de idosos deixaram de votar, sendo 2,6 milhões entre 60 e 69 anos e 8,8 milhões com mais de 70 anos. Essa reserva silenciosa é uma potência política que ainda não se realizou plenamente. Qualquer campanha capaz de mobilizar mesmo uma fração significativa dessa ausência estará alterando os resultados eleitorais de forma substantiva.

Na Bahia, o fenômeno não é diferente. Com mais de 2,3 milhões de idosos, num processo de envelhecimento em aceleração, há uma massa eleitoral que precisa ser reconhecida, escutada e contemplada em propostas concretas. A pergunta que se coloca para os candidatos baianos em 2026 não é se os idosos importam, mas: "o que temos para oferecer a eles?"

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa, responde bem a essa questão: "A Geração Prateada pode atuar como o fiel da balança em cenários equilibrados". Em um estado como a Bahia, onde disputas políticas frequentemente se decidem por margens estreitas, esse potencial é ainda mais determinante.

Conclusão — Propostas para Políticas Públicas para a Terceira Idade: um Compromisso que Também é Político

Os números apresentados ao longo deste artigo constroem um argumento insofismável: o eleitorado idoso brasileiro, em geral, e baiano em particular, constitui-se numa força política em expansão, dotada de coesão cívica, capacidade crítica e peso decisivo. Ignorá-lo é um equívoco político. Subestimá-lo é um erro analítico e estratégico. E negligenciar as suas necessidades concretas é uma omissão ética.

Com a projeção de que a população idosa chegue a 40% até 2070, o estado precisa focar na integração de redes de saúde preventiva, assistência social e planejamento urbano para garantir qualidade de vida e autonomia à crescente parcela de centenários baianos.

Gostaria de compartilhar, a partir da minha trajetória e do contato próximo com tantas pessoas idosas ao longo dos anos, um conjunto de propostas que assumo como compromissos reais, de longo prazo, voltados a garantir dignidade, inclusão e qualidade de vida para a terceira idade.

Acredito que políticas públicas só fazem sentido quando nascem da escuta, do respeito e do diálogo. Por isso, cada uma dessas iniciativas foi pensada para responder às necessidades concretas de quem já contribuiu tanto para nossa sociedade e merece envelhecer com cuidado, autonomia e respeito.

1) Plano Estadual de Cuidado Integral ao Idoso (PECI)

Criação de um plano estadual plurianual, com metas mensuráveis e financiamento garantido, para atenção integral ao idoso baiano nas dimensões de saúde, assistência social, moradia, mobilidade, cultura e participação cidadã. O PECI deve ser construído com ampla participação dos próprios idosos, por meio de conferências municipais e estaduais.

2) Expansão e Regionalização do CREASI

O Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso realiza mais de 200 mil procedimentos por ano, mas ainda se concentra na capital. É necessário criar unidades regionais do CREASI nos principais polos do interior baiano (Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus, Juazeiro), aproximando os serviços especializados de quem mais deles necessita.

3) Programa Bahia Digital Sênior

Investimento em alfabetização digital para idosos, com formação em uso consciente de redes sociais, identificação de desinformação, acesso a serviços públicos digitais e telemedicina. O programa deve ser operacionalizado por meio de parcerias com universidades, centros de referência e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em todo o estado.

4) Rede Estadual de Centros-Dia e Residências de Cuidado

Ampliação da "rede de centros-dia para idosos" em situação de vulnerabilidade social, com foco especial em municípios do semiárido baiano, onde o envelhecimento rural impõe desafios particulares de mobilidade e acesso. Além disso, regulamentação e financiamento de residências terapêuticas de pequeno porte para idosos sem suporte familiar.

5) Política Interseccional de Cuidado para Mulheres Idosas Negras

Reconhecendo que as mulheres representam 56% da população idosa e que, na Bahia, há uma expressiva presença de mulheres negras idosas em situação de vulnerabilidade, é imperativo criar políticas específicas que interseccionem gênero, raça e idade. Isso inclui atenção à saúde mental, proteção contra violência doméstica, geração de renda e reconhecimento de saberes tradicionais.

6) Participação Política Garantida: Fóruns Permanentes da Pessoa Idosa

Institucionalização de fóruns permanentes de participação política para a pessoa idosa nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, nos âmbitos estadual e municipal, com cadeiras garantidas em conselhos de políticas públicas e mecanismos de deliberação que vinculem suas recomendações às decisões orçamentárias.

7) Mobilidade Urbana e Rural para Idosos como Direito

Garantia efetiva de gratuidade e acessibilidade no transporte público para idosos em todos os municípios baianos, com extensão para o transporte intermunicipal. Criação de linhas de transporte especiais para acesso a serviços de saúde, especialmente em zonas rurais e municípios do interior onde a infraestrutura de mobilidade é precária.

8) Fomento Literário para a Terceira Idade — FLITI

Proposta de política pública voltada à valorização da pessoa idosa por meio do incentivo à leitura, à escrita, à memória cultural e à produção literária, promovendo oficinas, bibliotecas comunitárias, concursos, publicações e espaços de expressão intelectual para idosos, fortalecendo o envelhecimento ativo, a inclusão social e a preservação das histórias e saberes das gerações.

A população idosa é um tesouro de sabedoria, experiência e história, cujo valor para uma sociedade é incalculável. No entanto, o cuidado e a atenção dedicados à terceira idade são cruciais para garantir que esses indivíduos desfrutem de uma vida digna, saudável e plena, objetivos essenciais no contexto do nosso Plano de Ação "TRANSFORMA BAHIA — 12 METAS PARA FAZER DA BAHIA UM ESTADO DA CULTURA DE PAZ", a ser detalhado em nossos próximos trabalhos.

A Bahia, como um estado comprometido em se tornar um exemplo para a Cultura de Paz, confirma a importância de valorizar e atender às necessidades de sua crescente população idosa. Neste contexto, o cuidado e a atenção à terceira idade abrangem diversos aspectos que contribuem para a qualidade de vida e o bem-estar dos idosos.

Cuidar da terceira idade não é apenas uma questão de justiça social, mas também um investimento na construção de uma cultura de paz. O respeito e a atenção que desenvolveram tanto para a cidade, enriquecendo a comunidade com sua sabedoria e experiência.

Ao atingir estes objetivos, de cuidado e atenção com as pessoas da terceira idade, a Bahia se torna um lugar onde as pessoas mais experientes são valorizadas, promovendo a harmonia, o respeito e a inclusão, fundamentais para a construção de uma Cultura de Paz.

O envelhecimento não é uma crise a ser gerenciada. É uma oportunidade para ser abraçada. Uma chance de construir, finalmente, uma democracia que cuide de quem ajudou a construí-la. Os dados mostram. A metodologia confirma. A realidade impõe. E a Bahia, que envelhece mais rápido do que nunca, não pode esperar.

Referências


BAÍA, Paulo. Quando o tempo decide: o poder eleitoral dos idosos no Brasil contemporâneo. Agenda do Poder, Rio de Janeiro, 14 abr. 2026. Disponível em: https://www.ihu.unisinos. Acesso em: 1 jun. 2026.

NEXUS PESQUISA E INTELIGÊNCIA DE DADOS. Geração Prateada: o crescimento do eleitorado 60+ no Brasil (2010-2026). São Paulo: Nexus, 2026. Levantamento baseado em dados do TSE, coleta em: 1 jun. 2026.

TOKARSKI, Marcelo. Eleitorado sênior e as eleições de 2026: tendências e análises. In: Agência Brasil. Brasília: EBC, 15 abr. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 1 jun. 2026.

CAMARANO, Ana Amélia; KANSO, Solange. Como as famílias brasileiras estão lidando com idosos que demandam cuidados? Rio de Janeiro: IPEA, 2010.

DEBERT, Guita Grin. A reinvenção da velhice: socialização e processos de reprivatização do envelhecimento. São Paulo: EDUSP/FAPESP, 1999.

BRASIL. Lei n.º 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 1 jun. 2026.

REDE BRASILEIRA DE PESQUISA EM ENVELHECIMENTO (RED). Políticas públicas para idosos: pauta para o debate eleitoral. Brasília: RED, 17 abr. 2026. Disponível em: https://red.org.br. Acesso em: 1 jun. 2026.


[1] https://www.nexus.fsb.com.br. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[2] Quando o tempo decide: o poder eleitoral dos idosos no Brasil contemporâneo. Artigo de Paulo Baía - Instituto Humanitas Unisinos. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[3] Expectativa de vida chega a 76,6 anos em 2024 | Agência de Notícias. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[4] Número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 74%, aponta pesquisa - Fundação Perseu Abramo. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[5] População idosa cresce rápido na Bahia e já representa 1 em cada 6 moradores | Jornal Correio. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[6] PNAD Contínua - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[7] Bahia registra baixo crescimento populacional e avanço do envelhecimento, diz IBGE. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[8] Estatísticas eleitorais — Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, Acesso em: 01 de jun. 2026.

[9] Bahia projeta que 40% da população terá mais de 60 anos até 2070 | Sesab. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[10] Cuidados Paliativos – SUS Bahia | Sesab. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[11] Op. cit.

[12] Pirâmide etária | Educa | Jovens - IBGE. Acesso em: 01 de jun. 2026.

[13] O jogo virou: pesquisas indicam que idosos passam mais tempo na internet que jovens. Acesso em: 01 de jun. 2026.

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O eleitor idoso e a cidadania
O eleitor idoso e a cidadania
O momento do voto
O momento do voto
Crescimento do eleitorado 60+
Crescimento do eleitorado 60+
Envelhecimento ativo e conectado
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Mapa do envelhecimento eleitoral brasileiro
Mapa do envelhecimento eleitoral brasileiro
A Bahia que envelhece
A Bahia que envelhece
A realidade da população idosa baiana
A realidade da população idosa baiana

Sobre o autor

Ricardo Justo

Articulista do JUSTAMENTE NEWS. Análises sobre políticas públicas, Cultura de Paz e desenvolvimento humano na Bahia.